| Moto com Pedal, nas primeiras edições da prova |
Disputada num circuito de 60 km, em rodovias sem limite de velocidade, cruzando montanhas e vilarejos, mas sem áreas de escape, já vitimou mais de duzentos competidores, sendo interrompida apenas pela Primeira e Segunda Guerras Mundial e em 2001 pela epidemia de Febre Aftosa.
As primeiras corridas foram realizadas no Saint John’s Course, trajeto triangular com 25 km de extensão, passando pelo lado oeste da ilha. Foi em 28 de maio de 1907 que os motores zumbiram para completar 10 voltas, Nessa época as motos não tinham muita potência, por isso deviam possuir o estilo “turismo”, obrigatoriamente, contando com freios, para-lamas e caixa de ferramentas. Desde o início, o sistema de classificação é o mesmo. Largando dois competidores por turno, tem que terminar mais rápido, sendo que o tempo cronometrado é comparado com as outras duplas, até definir quem precisou de menos tempo para completar o circuito. Nas primeiras edições do TT, após cinco voltas completadas, as motos paravam por dez minutos, retornando a seguir para completar as outras cinco. Apesar de todos os problemas que os pilotos enfrentavam, quedas e falhas mecânicas, a corrida sempre foi um sucesso.
O primeiro a receber o troféu foi Charlie Collier, que além de piloto era engenheiro e dono da Matchless. Ele disputou na categoria monocilindro, com consumo mínimo de 33 km por litro, contra outros 17 participantes. O troféu era feito de prata, representando o Deus romano Mercúrio (Hermes, em grego), cavalgando sobre uma roda alada. Esse troféu ficava com o vencedor do ano até a prova do ano seguinte, quando passava ao outro que venceria na categoria principal. O mito diz que Hermes é filho de Zeus e Maia, deusa da fecundidade, conhecido como o mensageiro dos deuses e patrono da ginástica.
O primeiro a receber o troféu foi Charlie Collier, que além de piloto era engenheiro e dono da Matchless. Ele disputou na categoria monocilindro, com consumo mínimo de 33 km por litro, contra outros 17 participantes. O troféu era feito de prata, representando o Deus romano Mercúrio (Hermes, em grego), cavalgando sobre uma roda alada. Esse troféu ficava com o vencedor do ano até a prova do ano seguinte, quando passava ao outro que venceria na categoria principal. O mito diz que Hermes é filho de Zeus e Maia, deusa da fecundidade, conhecido como o mensageiro dos deuses e patrono da ginástica.
| Matchless Collier de 1911 |
Na primeira corrida, uma das maiores dificuldades foram os trechos de subida. Como as motocicletas não possuíam muita potência, alguns pilotos usavam os pedais ou desciam da moto e a empurravam morro acima. Por este motivo a vitória de Colier foi contestada por Jack Marshall, o segundo colocado. Ele afirmou que sem a ajuda dos pedais (naquela época era comum moto ter pedais iguais a de uma bicicleta) a Matchless não cumpria a regra de consumo. Nos anos seguintes foi proibido o uso de pedais na competição.
A espetacularidade tem um preço. E o perigo, apesar de todas as preocupações de segurança atuais, ainda é um problema. Existe um documento com 117 páginas - disponível para download - que indica, com mapas e imagens de satélite, quais as zonas interditadas ao público. Além disso, o que não falta pela ilha são chamadas de atenção para o perigo da estrada. Circula até uma publicação com um título macabro: "Meet your mates, not your maker" ("encontra-te com os teus amigos, não com o teu criador").
Em 1937, Tommaso Omobono Tenni, com 32 anos, apelidado de “Diabo Negro”, por causa da cor do cabelo e da sua forma arrojada de pilotar, sagrou-se como o primeiro italiano a vencer o TT. Dois anos antes, Tommaso vinha fazendo uma ótima corrida, conquistando a volta mais rápida, mas atropelou um corvo numa curva que o fez cair, fraturou duas vértebras da coluna cervical. Naquele ano a Moto Guzzi venceu e durante a corrida, dois pilotos da mesma equipe brigavam pela ponta.
| Tommaso Omobono Tenni e sua Guzzi |
No dia do acidente de Tommaso, ao ser atendido pelos médicos, eles lhe disseram que nunca mais poderia correr. Apesar dessa declaração médica, ele não esmoreceu e se recuperou. E em março de 1937, dois meses antes da TT, treinava numa estrada próxima de sua casa, quando, infelizmente, foi vitima de um acidente com um carro e como consequencia perdeu dois dedos do pé. Estes que guardou num bolso e foi para o hospital, mas os médicos não conseguiram fazer o reimplante. A caminho da competição, ainda estava com a ferida aberta e os jornais na época faziam manchetes do tipo: “ O rei das curvas” e “Aquele que desafia a morte”. Mesmo com hematomas, cortes, feridas e dores musculares, Tommaso correu soberando na Ilha de Man. Poucos metros da linha de chegada sua moto apresentou problemas. Trocou as velas o mais rápido possível para montar de novo e completar a ultima curva que faltava. Nesse momento a Itália inteira acompanhava pelo rádio, e depois de muita tensão o locutor berrou: “Tenni há vinto!” - levando a galera a loucura. Foi o primeiro estrangeiro, numa moto estrangeira, a Moto Guzzi, a levar o grande TT, em 25 anos de competição. Tommaso Omobono Tenni possui uma estátua no Museu Guzzi, por ter vencido 47 corridas para a marca. Em 1948 morreu num acidente nos treinos para o GP da Suíça.
Dos 248 mortos conhecidos, 234 eram pilotos. Um deles, Gilberto Parlotti, viria a provocar uma mudança drástica na história da prova. Foi em 9 de junho de 1972 numa corrida chuvosa, que o piloto italiano perdeu o controleo da sua Morbidelli 125 cc. As lesões foram demasiado graves e Parlotti não sobreviveu. Giacomo Agostini, o maior campeão do mundo de motociclismo de todos os tempos, era um dos seus melhores amigos. E no meio do luto disse que nunca mais correria ali.
Nesse mesmo momento a Ilha de Man recebia o GP do Reino Unido, uma das etapas do Campeonato do Mundo de motociclismo. A promessa de Agostini foi levada a sério e outros pilotos seguiram o exemplo do campeão. Com o tempo formou-se um boicote à prova. E em 1977 já não fez parte do calendário - o circuito de Man foi substituído por Silverstone.
Desde então, a corrida perdeu parte da fama. Hoje ainda há milhares de pessoas que rumam à ilha, mas já não é a mesma coisa. Agostini voltou, em 2009, apenas para apadrinhar a estreia de Valentino Rossi nas estradas da ilha. Juntos deram uma volta ao circuito, com jeito de desfile. Mas Agostini chegou primeiro, é claro.
Os maiores vencedores são Joey Dunlop, com 26 vitórias em 78 participaçõe; Mike Hailwood com 14 vitórias dentre 34 participações; Steve Hislop, com 11 vitórias em 26 participações; Giacomo Agostine, com 10 vitórias em 16 participações; Phill Read, com 8 vitórias em 33 participações e Jonh Surtess, com 6 vitórias em 11 participações.
Desde então, a corrida perdeu parte da fama. Hoje ainda há milhares de pessoas que rumam à ilha, mas já não é a mesma coisa. Agostini voltou, em 2009, apenas para apadrinhar a estreia de Valentino Rossi nas estradas da ilha. Juntos deram uma volta ao circuito, com jeito de desfile. Mas Agostini chegou primeiro, é claro.
Os maiores vencedores são Joey Dunlop, com 26 vitórias em 78 participaçõe; Mike Hailwood com 14 vitórias dentre 34 participações; Steve Hislop, com 11 vitórias em 26 participações; Giacomo Agostine, com 10 vitórias em 16 participações; Phill Read, com 8 vitórias em 33 participações e Jonh Surtess, com 6 vitórias em 11 participações.
Por marcas, podemos citar: Honda com 111 vitórias; Yamaha com 105 vitórias; Norton com 43 vitórias; MV Agusta com 34 vitórias; BMW com 30 vitórias e Suzuki com 28 vitórias.
| Rafael Paschoalin |
Mesmo participando de provas de motovelocidade, Rafael se apaixonou pelo mundo das corridas de rua, também pela longevidade de seus pilotos. “Hoje em dia muita gente que não é do meio já conhece a ‘corrida de loucos que tem numa ilha’. Eu escolhi esse caminho, pois nesta categoria, por incrível que pareça, existe uma longevidade”, justificou. “John McGuinnes, maior piloto da atualidade tem mais de 40 anos e uma barriguinha que entrega o apelido ‘McPint’. Não quero ter a barriga, mas sonho em ganhar o TT”, brincou.
Por se tratar de um evento fechado, o TT de Ilha de Man não aceita qualquer piloto e exige a participação em outras disputas similares antes de permitir a inscrição de um competidor. No caso de Rafael, a primeira parada foi a North West 200, na Irlanda do Norte.
Fontes:
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